O que é realidade?
Resposta: O conceito de realidade é extremamente complexo, mas podemos dizer que Realidade é a qualidade ou característica do que é real, o que realmente existe, o que é fato real, verdade. Ou ainda o conjunto das coisas e fatos reais. Partindo-se do princípio da impermanência essencial do Universo, tudo que eu terminar de afirmar neste segundo pode já não valer mais para o segundo seguinte, especialmente se estou realmente preocupado com a "verdade" verdadeira. Existe tal verdade? Como pode existir se tudo está em permanente movimento e transformação? Sobre realidade, há alguns postulados básicos a serem observados, como medida de correção filosófico-científica:
1- A existência (realidade) de algo INDEPENDE de observadores, (humanos ou não).
2- A existência positiva de algo, pode ou não ser do conhecimento de algum observador.
3- Se algo existe e determinado observador percebe sensorialmente este ser, ele tem meios para atestar correta e positivamente esta existência, sem risco de "desatino" filosófico.
4- Se algo existe e determinado observador NÃO percebe sensorialmente esta existência, ele NÃO tem meios para atestar correta e positivamente esta existência. Se afirmá-la, estará "chutando" e cometendo um "desatino" filosófico.
5- Se um suposto algo NÃO existe, nenhum observador pode perceber sensorialmente esta "existência" (Na verdade uma inexistência), Ninguém tem, portanto, meios para atestar positivamente esta realidade hipotética. Se afirmá-la, estará igualmente "chutando" e cometendo o mesmo "desatino" filosófico do item 4.
A realidade desvendada pela ciência, vem em segundo plano, pois só foi possível construí-la sobre as relações diárias que o homem mantêm com o mundo. Com isso fica explicito que realidade e verdade caminham juntas.
O que torna o homem humano é, básica e decisivamente, a palavra, a linguagem. A consciência humana é reflexiva porque ela pose se voltar sobre si mesma, ou seja, o homem pode pensar em si próprio, tornar-se como objeto de sua reflexão, e isto só é possível graças a linguagem.
Um cachorro, por exemplo, tem uma consciência que não vai além daquilo que seus órgãos e sentidos trazem até ele, o mesmo está ligado sempre ao aqui, ao agora, vive num presente imutável, diferente de nos seres humanos que só pela palavra temos uma consciência de encerrar na mente a totalidade do espaço no qual vivemos: o planeta terra. Pois isso se diz que o animal possui um meio ambiente, enquanto o homem vive no mundo.
Todos temos consciência, de que o mundo apresenta inúmeras realidades, com isso, freqüentemente passamos de uma a outra dessas realidades e sabemos que cada uma delas exigê-nos uma forma especifica de pensamento e ação.
É sempre necessário um certo esforço para nos desligarmos da realidade cotidiana e penetrarmos em outros setores de conhecimento mais específicos, pois para isso é preciso que se abandone a linguagem e a visão rotineira do mundo.
É preciso que tenhamos em mente a que devemos recorrer quando um determinado fato nos obriga a buscar um saber especifico. Por exemplo: Não sei como me curar de uma doença que me acomete, mas seu como fazer para consultar um médico que poderá me tratar.
Através do exposto, fica claro que a realidade não é simplesmente construída, mas socialmente edificada, ou seja, a construção da realidade é um processo fundamentalmente social.
Mas é extremamente difícil para os indivíduos perceberem que a estrutura social onde vivem é assim porque os homens a fizeram e a mantêm assim. Ela se apresenta a nos sempre como uma coisa objetiva, afinal, estava aí antes de nascermos e continuará depois da nossa morte.
Mas a definição do real, ou melhor, do conceito humano da realidade não é tarefa para as ciências especificas, e sim para a filosofia. Ao cientista cabe manipular setores determinados da realidade construindo-lhes modelos representativos e explicativos, enquanto o filosofo e ocupa da compreensão de como o homem percebe e compreende o mundo, instaurando a sua realidade.
Como a física ajuda a “ver” a realidade?
Resposta: Quanto mais se estuda a física quântica, mais misteriosa e fantástica ela se torna. A física quântica, falando de uma maneira bem simples, é uma física de possibilidades. São questões pertinentes de como o mundo se sente com relação a nós. Se existe uma diferença entre o modo do mundo nos sentir e como ele realmente é. Já parou para pensar do que os pensamentos são feitos?
Todas as épocas e gerações têm suas próprias suposições: O mundo é plano, o mundo é redondo, etc. Existem centenas de suposições que acreditamos ser verdadeiras, mas que podem ou não ser verdadeiras. Claro que historicamente, na maioria dos casos não eram verdadeiras. Se tomarmos a história como guia, podemos presumir que muitas coisas em que acreditamos sobre o mundo podem ser falsas. Estamos presos à certos preceitos sem saber disso. É um paradoxo .
O materialismo moderno tira das pessoas a necessidade de se sentirem responsáveis, assim como a religião! Mas eu acho que se você levar a mecânica quântica a sério, verá que ela coloca a responsabilidade nas nossas mãos e não dá respostas claras e reconfortantes. Ela só diz que o mundo é muito grande e cheio de mistérios.
Fomos condicionados a crer que o mundo externo é mais real que o interno. Na ciência moderna é justamente o contrário. Ela diz que o que acontece dentro de nós é que vai criar o que acontece fora. Existe uma realidade física que é absolutamente sólida, mas só começa a existir quando colide com outro pedaço de realidade física. Esse outro pedaço pode ser a gente, claro que somos parte desse momento, mas não precisa necessariamente ser. Pode ser uma pedra que venha voando e interaja com toda essa bagunça, provocando um estado particular de existência.
Filósofos no passado diziam: Se eu chutar uma pedra e machucar meu dedo, é real. Estou sentindo, é vívido. Quer dizer que é a realidade. Mas não passa de uma experiência, e é a percepção dessa pessoa do que é real.
Experimentos científicos nos mostram que se conectarmos o cérebro de um pessoa a computadores e scanners e pedirmos para olharem para determinados objetos, podemos ver que certas partes do cérebro sendo ativadas. Se pedirmos para fecharem os olhos e imaginarem o mesmo objeto, as mesmas áreas do cérebro se ativarão, como se estivessem vendo os objetos. Então os cientistas se perguntam: quem vê os objetos, o cérebro ou os olhos? O que é a realidade? É o que vemos com nosso cérebro? Ou é o que vemos com nossos olhos?
A verdade é que o cérebro não sabe a diferença entre o que vê no ambiente e o que se lembra, pois os mesmos neurônios são ativados.
Então devemos nos questionar, o que é realidade?
Somos bombardeados por grandes quantidades de informação que, quando entram no seu corpo, são processadas pelos seus órgãos sensoriais, e a cada passo partes da informação vão sendo descartadas. O que finalmente chega na consciência é o que serve mais à pessoa. O cérebro processa 400 bilhões de bits de informação por segundo, mas só tomamos conhecimento de 2.000 bits. E esses 2.000 bits são sobre o que está ao nosso redor, nosso corpo e o tempo.
Vivemos em um mundo onde só enxergamos a ponta do iceberg. Isso significa que a realidade está acontecendo a todo momento no cérebro, mas nós não a absorvemos. Os olhos são como lentes, mas o que realmente está enxergando é a parte de trás do cérebro. É o córtex visual, igual a essa câmera.
Nós criamos a realidade, mas criamos máquinas que produzem realidade que afetam a realidade o tempo todo. Sempre perseguimos algo refletido no espelho da memória. Se estamos ou não vivendo em um grande mundo virtual, é uma pergunta sem uma boa resposta, é um grande problema filosófico. E temos que lidar com ele conforme o que a ciência diz do nosso mundo.
Como somos sempre observadores na ciência, ficamos limitados ao que o cérebro humano capta. É a única forma de vermos e percebermos as coisas que fazemos. Então é possível que isso tudo seja uma grande ilusão da qual não conseguimos sair para ver a verdadeira realidade. Seu cérebro não sabe distinguir o que está acontecendo lá fora do que acontece aqui dentro. Não existe o lá fora independente do que está acontecendo aqui.
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